Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


Título

RELATO DE CASO: DOENÇA DE HAFF APOS INGESTAO DE PEIXE ARABAIANA EM HOSPITAL UNIVERSITARIO.

Fundamentação/Introdução

Mialgia, rigidez, fraqueza muscular e hematúria são condições clínicas associadas à síndrome de Haff, síndrome que consiste em rabdomiólise por ingestão de peixes e frutos do mar contaminados por toxinas termoestáveis e bioacumuláveis, cujos mecanismos etiopatogênicos estão no desequilíbrio da ligação Na-K-ATPASE.

Objetivos

Relatar o caso de um paciente que desenvolveu doença de Haff após ingestão de peixe arabaiana em Julho de 2020 na cidade de João Pessoa.

Delineamento e Métodos

Homem, 32 anos, pardo, natural e procedente de João Pessoa, casado, funcionário público, sem comorbidades prévias, relatando dor muscular de forte intensidade, iniciada há sete horas, em região lombar , dorso e panturrilhas, com redução de força desses grupamentos musculares ao exame físico. Relata episódio de vômito único e náuseas no momento da avaliação. Apresentava fácies álgica e dor intensa à palpação bilateral de trapézio, latíssimo do dorso, deltóide, vasto lateral e gastrocnêmios bilateralmente. Prescritos analgésicos e solicitados exames laboratoriais. Após uma hora e meia, retornou com piora das dores musculares e referindo que familiares estavam apresentando condições semelhantes. Questionado por fatores comuns de exposição, informa ingestão de peixe Arabaiana (Seriola lalandia) em refeição daquele dia.

Resultados

Os exames complementares demonstraram CPK de 3.622U/L; DHL 1.225; Ureia 31 e Creatinina 1.3. Diante do quadro clínico, o paciente foi internado na enfermaria, sendo realizada analgesia com dipirona, hidratação vigorosa por USG e vigilância de função renal e marcadores de lise muscular. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) foram evitados no tratamento com o objetivo de evitar sobrecarga renal. Durante a permanência, a função cardíaca avaliada via ecocardiograma transesofágico não demonstrou alterações. Teve acompanhamento multidisciplinar com fisioterapia, nutricionista e psicologia. Após 5 dias de internação hospitalar, evolui bem clínica e laboratorialmente, apresentando condições de alta e acompanhamento ambulatorial posteriormente.

Conclusões/Considerações finais

Diante do caso relatado, o diagnóstico da doença de Haff é baseado na história epidemiológica (ingestão de peixe Arabaiana nas 24 horas antes do início dos sintomas) e a exclusão de outras situações com quadro clínico semelhante. Um diagnóstico precoce e tratamento adequado são de significativa importância para se evitar complicações da doença, além de garantir um bom prognóstico.

Palavras-chave

Arabaiana. Doença de Haff. Rabdomiólise.

Área

Clínica Médica Geral

Instituições

Centro Universitároo de João Pessoa - UNIPÊ - Paraíba - Brasil

Autores

REBECA VITAL MATIAS ACIOLI, Carolina Travassos Queiroz, Iannah Mendonça Freire França, Nelson Antônio Silva Segundo, Ygor Marcelo Mendes Negreiros