Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

RASTREAMENTO DO CANCER DE MAMA NO BRASIL: PERFIL ETARIO E REPERCUSSOES EPIDEMIOLOGICAS

Fundamentação/Introdução

O câncer de mama (CM) constitui a neoplasia de maior mortalidade entre as mulheres brasileiras. No Brasil, nota-se uma divergência entre as entidades Sociedade Brasileira de Mastologia, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia adeptos da mamografia anual para as mulheres a partir dos 40 anos e o Ministério da Saúde, defensor do rastreamento bianual a partir dos 50 anos. O estudo randômico, prospectivo e controlado Age Trial, realizado no Reino Unido, mostrou redução de 25% no risco relativo de morte nos primeiros 10 anos de rastreamento, em mulheres entre 39 e 49 anos. Assim, embora acredite-se que o rastreamento nessa faixa etária promova falsos positivos e procedimentos excessivos, ao analisar tais publicações e a distribuição do CM em um estudo feito em São Paulo, no qual a proporção de mulheres com 40-49 anos (22,7%) se aproxima da de 50-59 anos (25%), percebe-se a importância da atenção a essa faixa etária nas políticas públicas.

Objetivos

Reiterar a necessidade de incluir mulheres a partir de 40 anos no público alvo de mamografias, devido à forte presença dessa parcela na mortalidade e nos anos potenciais de vida perdidos (APVP) pelo CM.

Delineamento e Métodos

Trata-se de um estudo transversal, exploratório e de abordagem quantitativa. A amostra correspondeu aos registros de mortalidade por CM nos anos de 2008 a 2017 e de número médio de anos potenciais de vida perdidos por essa patologia segundo o banco de dados do DATASUS. A análise dos dados se deu através de estatística descritiva com frequência absoluta, estratificada por década de vida.

Resultados

Entre 2008 e 2017 morreram 23.549 mulheres entre 40-49 anos; 34.232 entre 50-59; 30.137 entre 60-69; 22.663 entre 70-79, sendo a quarta década responsável por 18% dos óbitos. Quanto aos APVP pelo CM por mil mulheres no Brasil neste mesmo período, na faixa 40-49 detectou-se APVP de 800.666; de 821.568 entre 50-59; 421.918 entre 60-69 e 90.652 entre 70-79. Dentre os intervalos etários estudados, a mortalidade entre mulheres na quarta década de vida representou terceiro maior valor e atingiu o segundo maior valor de APVP, ficando atrás apenas das mulheres entre 50 e 59 anos.

Conclusões/Considerações finais

Esses dados expressam o impacto da priorização do rastreamento mamográfico de CM apenas acima de 50 anos e justificam o benefício do rastreamento acima de 40 anos visando reduzir a mortalidade.

Palavras-chave

Rastreamento; Câncer de Mama; Quarta Década; Mortalidade.

Área

Oncologia

Instituições

Universidade Federal da Paraíba - Paraíba - Brasil

Autores

JOÃO VICTOR BEZERRA RAMOS, MARIA GABRIELA MEDEIROS CUNHA DE ARAUJO, ADRIANA DE FREITAS TORRES