Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

IMPACTO DA PANDEMIA DA COVID-19 NO RASTREAMENTO MAMOGRAFICO DO CANCER DE MAMA NA REGIAO NORDESTE DO BRASIL

Fundamentação/Introdução

O câncer de mama é a neoplasia mais frequente e a principal causa de morte em mulheres, além de um problema de saúde pública passível de rastreamento, mediante a mamografia, indicada para as mulheres acima de 40 anos. Devido à pandemia da doença do coronavírus em 2019 (COVID-19), o câncer e demais doenças passaram a ser negligenciadas pela população.

Objetivos

Verificar se houve mudança no número de mamografias realizadas no ano de 2020 em relação a anos anteriores nos estados do Nordeste brasileiro.

Delineamento e Métodos

Trata-se de um estudo transversal e retrospectivo, de caráter quantitativo. A coleta de dados se deu por meio do Sistema de Informação do Câncer - SISCAN do DATASUS. A amostra correspondeu ao número de mamografias realizadas por paciente nos anos de 2016 a 2020 em cada estado do Nordeste, separadas por faixa etária a partir dos 40 anos. Foi realizada uma análise relativa comparando a queda percentual entre os anos de 2019 e 2020, tanto em relação às faixa-etárias quanto aos estados.

Resultados

Em geral, notou-se uma tendência de aumento no número total de mamografias realizadas a partir dos 40 anos e em cada estado no Nordeste, no intervalo em questão: de 506.033 em 2016 para 859.078 em 2019, crescimento de 69,7%. Em 2020, o valor reduziu para 295.991, registrando queda de 65,5% em relação a 2019, o que se manteve de modo homogêneo em cada faixa etária: de 40-44 anos a diminuição foi de 62%; 62,1% na de 45-49 anos; 66,6% na de 50-54 anos; 66,5% na de 55-59 anos; 67% na de 60-64 anos; 68,1% na de 65-69 anos; 66% na de 70-74 anos; 66,6% na de 75-79 anos e de 66,2% acima de 79 anos. Nos estados nordestinos, detectou-se redução, em ordem decrescente, em Pernambuco, de 73,1%; Sergipe, de 72,4%; Alagoas e Paraíba, de 67,3%; Piauí, de 64,6%; Bahia, de 62%; Rio Grande do Norte, de 61,3%; Ceará, de 60% e Maranhão, de 55,97%.

Conclusões/Considerações finais

Diante da redução demonstrada na realização do rastreamento mamográfico do câncer de mama, é evidente que a conjuntura pandêmica atual impactou fortemente na realização desse exame em 2020, relativamente aos últimos quatro anos, que pode ser fruto do medo de exposição em ambientes ambulatoriais para a realização do exame, bem como da negligência da população em relação às demais doenças que não a COVID-19. Tal fato pode, nos próximos anos, gerar impacto severo no tratamento, prognóstico e qualidade de vida das pacientes sem detecção precoce, além de aumento na taxa de mortalidade.

Palavras-chave

mamografia; pandemia; infecções por coronavírus; mortalidade

Área

Clínica Médica Geral

Instituições

Universidade Federal da Paraíba - Paraíba - Brasil

Autores

MARIA GABRIELA MEDEIROS CUNHA DE ARAUJO, JOÃO VICTOR BEZERRA RAMOS, Adriana de Freitas Torres