Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

ASSOCIAÇAO COMPLEXA ENTRE TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO E COMORBIDADES: IMPLICAÇOES CLINICAS E TERAPEUTICAS

Fundamentação/Introdução

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) possui quadro clínico heterogêneo, obstando sua detecção. Envolve avaliação rígida de riscos, dúvida patológica e sensação de incompletude na busca por um alívio fugaz. Embora frequentemente acompanhado por transtornos comórbidos, outras patologias podem ocorrer independentemente durante a evolução, como a esquizofrenia.

Objetivos

Relatar caso de paciente com TOC e comorbidades associadas no intuito de delimitar e distinguir se elas refletem a coexistência de diagnósticos distintos ou a sobreposição de sintomas e síndromes.

Delineamento e Métodos

ABDN, masculino, 12 anos, em tratamento para TOC desde os 6 anos, iniciando medicação aos 8 anos. Utilizou imipramina, sertralina, risperidona, topiramato, clonazepam, olanzapina e fluvoxamina. Aos 12 anos, relatou delírios persecutórios, ausência escolar, agressividade, além de não ficar sozinho para atividades. Referiu alucinações auditivas e visuais, anedonia e sensação de ser vigiado e motivo de riso, levando, assim, à hipótese diagnóstica de esquizofrenia, apesar da ausência de histórico familiar. Referiu melhora com venlafaxina, aripirazol e carbonato de lítio.

Resultados

Dos 14 aos 19 anos evoluiu com queixas de choro fácil, isolamento, pensamentos ruins prévios à entrada na escola, ansiedade em situações sociais, baixa concentração, levando a questionar associação com Transtorno de Ansiedade Social (TAS), apesar do expresso interesse em relacionar-se. Em relação ao TOC, queixava-se de perguntar se suas atitudes eram certas, contar os passos, lavar as mãos repetidamente, fobia de impulso e obsessões de contaminação. Durante o tratamento, oscilou na intensidade e no tipo da obsessão-compulsão, melhorando apenas aos 21 anos, sob administração da clozapina, droga para esquizofrenia refratária, fechando o diagnóstico de esquizofrenia associada ao TOC e TAS.

Conclusões/Considerações finais

Estudos sugerem aumento da prevalência de TOC em pacientes com esquizofrenia e possível associação entre fobia de ansiedade social e outras afecções psíquicas. No presente caso, apesar do acompanhamento de quase 10 anos, o diagnóstico de TOC associado à esquizofrenia só foi possível devido à melhora com o uso de medicação neuroléptica, refletindo a hipótese de coexistência de afecções distintas. Assim, diante de um paciente com TOC, é valioso questionar a possibilidade de comorbidades, bem como em casos refratários, pelas prováveis implicações terapêuticas e prognósticas.

Palavras-chave

Transtorno Obsessivo Compulsivo; distinguir; comorbidades; implicações;

Área

Psiquiatria

Instituições

Universidade Federal da Paraíba - Paraíba - Brasil

Autores

MARIA GABRIELA MEDEIROS CUNHA DE ARAUJO, MARIA CONCEIÇÃO DE MEDEIROS SIMÕES, JOÃO VICTOR BEZERRA RAMOS, MARCELA CAVALCANTI CARVALHO DE GUSMÃO, RÉRYCKA BEATRIZ LINS DE ANDRADE, ESTÁCIO AMARO DA SILVA JÚNIOR