Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

PACIENTE TRANSPLANTADO RENAL COM LEISHMANIOSE VISCERAL RECIDIVANTE

Fundamentação/Introdução

Algumas espécies dermatotrópicas do gênero Leishmania podem visceralizar e gerar a Leishmaniose Visceral, sobretudo em pacientes imunodeprimidos.

Objetivos

Reportar o caso de um paciente que apresentou Leishmaniose Visceral com três recidivas pós-transplante, e analisar os aspectos do manejo do caso e possível caráter oportunístico.

Delineamento e Métodos

Paciente do sexo masculino, 52 anos, hipertenso, doente renal crônico em hemodiálise por 4 anos. No ano de 2015 foi submetido a um transplante renal com doador vivo relacionado (DRV) - irmão - e apresentou histórico de painel elevado e anticorpos doador-específicos (DSA+). O imunossupressor de indução utilizado foi a timoglobulina e os de manutenção foram o tacrolimus, micofenolato (MPS) e prednisona (PRED 20), seguindo a imunossupressão (ISS) somente com tacrolimus e PRED 20. Em 2018, teve infecção por citomegalovírus, e o esquema de ISS foi modificado para Sirolimus. Em dezembro de 2018, o paciente foi convocado ao hospital após achado de infestação na medula óssea por Leishmania em mielograma. Foi internado e submetido a tratamento com Anfotericina B lipossomal (Anfo B). Em dezembro de 2019, houve reativação do quadro de LV, sendo submetido ao mesmo tratamento anterior. Em agosto de 2020 apresentou astenia e pancitopenia associada a PCR elevado, com hipótese diagnóstica de LV recidivante. O paciente foi internado, e houve a suspensão do sirolimus, sendo solicitado laudo para o uso de azatioprina. Após internação, a conduta foi manter sem sirolimus e administrar Anfo B desoxicolato quinzenal como profilaxia secundária. Em março de 2021, cursou com sua terceira recidiva, realizando novo tratamento com Anfo B.

Resultados

A seção de métodos já foi preenchida pela descrição do caso.

Conclusões/Considerações finais

A avaliação do caso e dos estudos publicados gera discussão sobre a terapêutica de uma situação complexa como quatro infecções por Leishmaniose Visceral após transplante renal, e evidencia que se faz necessário grande manejo clínico para obter resultados efetivos. A manutenção da imunossupressão foi realizada essencialmente com tacrolimus, com micofenolato e com sirolimus. O sirolimus aumenta o risco de complicações infecciosas de forma a depender da dose, da imunossupressão concomitante e dos fatores de risco. Ao ser suspenso, estudos relatam que ele pode gerar uma resposta imune satisfatória, sem ocasionar a rejeição do órgão transplantado. Após tratamento, o paciente seguiu em profilaxia com Anfo B por 5 semanas que, posteriormente, passou a ser quinzenal.

Palavras-chave

Transplante de rim; Leishmaniose Visceral; Recidiva; Imunossupressão

Área

Infectologia

Instituições

Faculdade de Ensino Superior da Amazônia Reunida (FESAR) - Pará - Brasil

Autores

MICHEL PATRIK DE SOUSA ARRUDA, MARIANA DE JESUS OLIVEIRA, JOGIELY LARISSA FERREIRA LIMA, EDUARDO ALMEIDA DE SOUZA MINUZZO