Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

TEMPESTADE ELETRICA EM PACIENTE COM CARDIOMIOPATIA CHAGASICA E CARDIODESFIBRILADOR IMPLANTAVEL: UM RELATO DE CASO

Fundamentação/Introdução

A tempestade elétrica (TE) é uma síndrome caracterizada por episódios recorrentes de arritmias ventriculares e consiste em três ou mais episódios de taquicardia ou fibrilação ventricular sustentadas, ou ainda choques apropriados de um cardiodesfibrilador implantável (CDI), que ocorrem em 24 horas. Tal fenômeno pode ocorrer na fase aguda do infarto agudo do miocárdio, em cardiopatia chagásica, canalopatias e em portadores de CDI. Palpitações, tonturas, pré-sincope e síncope são as manifestações clínica mais comuns, porém, é possível a evolução para ritmo de parada cardiorrespiratória ou morte súbita.

Objetivos

Relatar um caso de tempestade elétrica em portador de cardiomiopatia chagásica e cardioversor desfibrilador implantável (CDI).

Delineamento e Métodos

Homem, 73 anos, hipertenso, diabético e portador de cardiomiopatia chagásica com fração de ejeção reduzida (30%), em uso de CDI há 15 anos. Admitido hemodinamicamente estável em hospital de referência por sensação de choques em tórax emitidos pelo CDI. Ao eletrocardiograma (ECG) admissional: ritmo sinusal, baixa voltagem e distúrbio de condução intraventricular. Apresentou episódios de taquicardias ventriculares sustentadas (TVS) documentadas por ECG e com choques apropriados quando o CDI foi interrogado. Ecocardiograma transtorácico evidenciou aneurisma apical com disfunção sistólica importante, trombo apical em ventrículo esquerdo (VE) e disfunção diastólica grau I do VE.

Resultados

Devido ao quadro persistente de TE, foi prescrito amiodarona endovenosa em dose de ataque e manutenção associada ao carvedilol 75mg/dia, com melhora parcial do quadro. Realizado simpatectomia e o paciente evoluiu assintomático desde então, sem novas TVS ou choques apropriados. Na alta, holter apresentou ritmo de base determinado por marca-passo com períodos de ritmo sinusal, além de extrassístoles ventriculares frequentes e polimórficas (isoladas, pareadas e em salvas de até 8 batimentos).

Conclusões/Considerações finais

A TE é um período de instabilidade hemodinâmica, cujo prognóstico, no passado, era quase invariavelmente desfavorável; atualmente, é possível a reversão de alguns quadros. Neste relato, o paciente apresentava zona elétrica inativa ao ECG, sugestivo de infarto agudo do miocárdio prévio, além da cardiomiopatia chagásica, tendo evoluído para a TE. Anormalidades estruturais são fatores de risco inquestionáveis para a ocorrência de taquiarritmias e devem ser sempre rastreadas, pois facilitam os mecanismos arritmogênicos de reentrada.

Palavras-chave

Cardiologia; Arritmias Cardíacas; Cardiomiopatia Chagásica.

Área

Cardiologia

Instituições

Universidade Potiguar - Rio Grande do Norte - Brasil

Autores

HELOISA CASSIANO DA FONSECA, Valeska Maria de Sousa Almeida, Lindvaldo de Oliveira Sousa, Maria Gabriele Duarte Mendes, Anna Beatriz Araújo Medeiros