Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

PRURIDO UREMICO COMO MANIFESTAÇAO DE LESAO RENAL AGUDA

Fundamentação/Introdução

O prurido é uma queixa comum e incômoda em pacientes com azotemia grave, principalmente com níveis de ureia maiores que 120 mg/dL, mais visto em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC). A fisiopatologia do prurido urêmico ainda é pouco conhecida, existindo hipóteses como a influência da inflamação sistêmica (aumento de citocinas e células T pró-inflamatórias) e da expressão de receptores opióides. Os fatores de risco incluem diálise inadequada, hiperparatireoidismo, xerose cutânea, entre outros.

Objetivos

Descrever o caso de um paciente portador de Prurido urêmico associado à azotemia por Lesão Renal Aguda.

Delineamento e Métodos

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Resultados

Homem, 72 anos, hipertenso e diabético de longa data, chega ao serviço de Dermatologia com queixa de prurido intenso e lesões crostosas eritemato-descamativas em MMSS há 6 meses, evoluindo para MMII e tronco, sem melhora após administração de Penicilina Benzatina. A investigação laboratorial evidenciou disfunção renal, sendo encaminhado de urgência à Nefrologia, onde foi internado. Inicialmente, administraram-se anti-histamínicos (loratadina e hidroxizina) e cetoconazol, porém os sintomas persistiram. Os exames mostraram: Hb 9,5; VCM=90.4; CHCM=32.40g/dL; Cr 4.7 mg/dL; Cálcio 8.2 mg/dL; PTH 175,3 pg/mL; Ur 142.2 mg/dL; e PSA 4,05 ng/mL. Levantou-se, então, a hipótese de DRC (TFG=11.5 mL/min/1.73m²), pelos anamnese e exames. Em seguida, de forma protocolar, foi realizada ultrassonografia de rins e vias urinárias, que constatou acentuada dilatação renoureteral bilateral, sem fatores obstrutivos aparentes. Mostrava, também, diferenciação corticomedular e espessura do parênquima preservadas, porém bexiga hiperdistendida, de paredes trabeculadas e conteúdo anecóico, achados relacionados à bexiga de esforço. Dessa forma, firmou-se o diagnóstico de LRA pós-renal sobreposta à DRC, por Hiperplasia Prostática Benigna. Após passagem de SVD, houve retorno imediato de 6L de diurese e progressiva melhora de função renal (com Cr=3,5 e Ur=131.3 na alta) e das lesões cutâneas e prurido. Paciente segue em acompanhamento com a Urologia e Nefrologia, evoluindo com redução nas escórias nitrogenadas (Cr=1.85; Ur=69; CKD-EPI=35) e regressão completa do prurido.

Conclusões/Considerações finais

É notória a relevância do conhecimento sobre o prurido urêmico associado à LRA, além da importância da avaliação protocolar com imagem ultrassonográfica de vias urinárias em paciente com disfunção renal a esclarecer, haja vista que nem sempre história clínica e exames laboratoriais são suficientes para avaliação etiológica.

Palavras-chave

Síndrome urêmica, prurido urêmico, lesão renal aguda, hiperplasia prostática benigna.

Área

Nefrologia

Instituições

Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco - Pernambuco - Brasil

Autores

MARIANA MOSSI MARQUES, BEATRIZ DE SOUSA PEREIRA GERMANO, MARCLÉBIO MANUAL CÔELHO DOURADO, LUCILA MARIA VALENTE