Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR ARMA DE FOGO NA BAHIA, NO PERÍODO 2014- 2018

Fundamentação/Introdução

Segundo o “Atlas da Violência”, em 2019, as mortes por armas de fogo (AF) no Brasil vêm crescendo vertiginosamente nos últimos anos, sendo evidenciados altos índices de mortalidade da Bahia, realidade amplamente difundida nos meios de comunicação. Ainda em 2019, a Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que a Bahia lidera o índice de mortalidade de crianças e adolescentes por AF no Nordeste, ponto negativo para a segurança pública do Estado. Além do acesso clandestino a armamentos, o alto índice de homicídios por AF pode carregar consigo causas multifatoriais, como desigualdade social, preconceito de gênero e baixa escolaridade. Assim, torna-se relevante analisar o perfil epidemiológico dos óbitos por AF, permitindo que o Estado e a sociedade reflitam quanto a adoção de medidas de segurança pública mais efetivas.

Objetivos

Descrever o perfil epidemiológico dos óbitos por AF no Estado da Bahia, de 2014-2018.

Delineamento e Métodos

Estudo epidemiológico, descritivo, retrospectivo, realizado através do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). As variáveis de interesse foram sexo, faixa etária, cor/raça, estado civil, escolaridade e o local da ocorrência do óbito. Registrou-se a mortalidade proporcional por AF dentre as mortes por causas externas e os óbitos totais. Foram calculados o coeficiente de prevalência e a taxa de mortalidade a partir do número de habitantes da Bahia, no período analisado. Dispensou-se apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa por terem sido utilizados dados públicos e gratuitos, sem identificação dos participantes.

Resultados

Dentre os óbitos por AF, houve maior prevalência entre os homens (95,0%), pardos (76,1%), na faixa etária entre 20-39 anos (63,8%), solteiros (80,0%) e com 4 a 7 anos de escolaridade (39,7%), sendo a maioria das ocorrências em via pública (48,1%). O coeficiente de mortalidade proporcional foi de 6% em relação aos óbitos totais na Bahia e de 40% em relação aos óbitos por causas externas. A taxa de mortalidade foi de 1,8%.

Conclusões/Considerações finais

Na Bahia, de 2014-2018, os óbitos por arma de fogo predominaram em homens, adultos-jovens, pardos, solteiros e com 4 a 7 anos de escolaridade, sendo a via pública o local de maior ocorrência. Esses dados contribuem para a reflexão quanto à situação de violência na Bahia, podendo contribuir para a criação de políticas públicas de segurança específicas para os grupos mais vulneráveis.

Palavras-chave

Armas de Fogo; Mortalidade; Epidemiologia; Política Pública

Área

Urgência e Emergência

Instituições

UniFTC - Bahia - Brasil

Autores

VICTORIA QUEIROZ MELO, Helmira Rafaela Menoita, Luccas Almeida Machado, Nathalia Fiscina de Figueiredo, Kátia de Miranda Avena