Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

EXUBERÂNCIA CLÍNICA EM PESSOA PRIVADA DE LIBERDADE CONVIVENDO COM SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA ADQUIRIDA

Fundamentação/Introdução

INTRODUÇÃO: Os presídios brasileiros constituem cenários de alta prevalência de doenças infectocontagiosas, com a superlotação geradora de adoecimentos de difícil manejo. Nesse contexto, a Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida (SIDA) se revela com manifestações ainda mais diversas, havendo franca associação com tuberculose pulmonar e recidivas frequentes.

Objetivos

OBJETIVO: Relatar o caso de paciente privado de liberdade com diagnósticos de SIDA, tuberculose pulmonar, herpes zóster e leishmaniose visceral.

Delineamento e Métodos

CASO: Homem, 50 anos, em privação de liberdade, com diagnóstico de SIDA há 7 anos, em uso irregular de antivirais, apresentou quadro de dor torácica em hemitórax esquerdo, em aperto, ventilatório-dependente, associada à tosse seca de início há 5 meses. Também, apresentou febre vespertina, sudorese profusa, calafrios e perda ponderal. Foi referida hiporexia e redução de evacuações, com fezes endurecidas e enegrecidas. Apresentou regular estado geral, taquipneia e taquicardia, ausculta pulmonar com roncos e estertores creptantes em ápices. Houve intensa dor à palpação em quadrante superior direito do abdome. O paciente iniciou tratamento empírico para pneumonia e tuberculose pulmonar com piperacilina- tazobactam e esquema básico antituberculoso.

Resultados

A tomografia de tórax corroborou com o diagnóstico de tuberculose, ao revelar padrão de árvore em brotamento. Durante a internação, foi diagnosticado com leishmaniose visceral, por meio da pesquisa do protozoário em sangue periférico, com boa resposta à anfotericina B lipossomal. Apresentou ainda vesículas em base eritematosa, em dermátomos de regiões glútea e lombar, indicativo de Herpes zóster. Com o tratamento com aciclovir, obteve-se cura clínica. Após internamento por quatro meses e reestabelecimento da terapia antirretroviral, o paciente evoluiu com estabilidade, sendo indicada alta hospitalar.

Conclusões/Considerações finais

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os múltiplos adoecimentos do paciente expõem o desafio para manejo de SIDA, especialmente com a progressão da imunodepressão. Além dos cuidados farmacológicos em internação longa, evidencia-se a dificuldade para controle de doenças infectocontagiosas em um cenário inóspito como os presídios brasileiros, onde se falha em biossegurança e se vive em aglomeração. Logo, torna-se imperativa prevenção e cuidado desses usuários, de modo que o contexto de marginalização não acentue ainda mais o processo de adoecimento já tão conturbado.

Palavras-chave

Infecções; SIDA; tuberculose; leishmaniose visceral; herpes zóster.

Área

Infectologia

Instituições

Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Rio Grande do Norte - Brasil

Autores

BRENO VINICIUS DIAS DE SOUZA, HUMBERTO CABRAL DE OLIVEIRA FILHO , ANA OLÍVIA DANTAS, EMILIE QUEIROGA QUEIROGA