Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

AZATIOPRINA COMO FATOR DESENCADEANTE DE HEPATITE COLESTÁTICA: UM RELATO DE CASO

Fundamentação/Introdução

A azatioprina é um imunossupressor comumente utilizado no tratamento de doenças autoimunes incluindo Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), Miastenia Gravis e doença inflamatória intestinal. Os efeitos adversos da sua terapia incluem supressão da medula óssea, náuseas, dor abdominal e, raramente, hepatotoxicidade. Reações de hipersensibilidade, reações colestáticas idiossincráticas e lesão celular endotelial são alguns dos mecanismos que explicam os danos no fígado causados pela azatioprina. Dois padrões de lesão são mais comumente vistos, a elevação transitória e sintomática dos níveis séricos de aminotransferases e hepatite colestática com elevações em alanina aminotransferase (ALT) e fosfatase alcalina acompanhada de icterícia.

Objetivos

Relatar um caso de hepatite aguda colestática observada após o início da terapia com azatioprina, demonstrando lesão hepática causada pelo uso da mesma.

Delineamento e Métodos

Paciente 22 anos, sexo masculino, portador de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), diagnosticado há 4 meses, em uso de azatioprina, deu entrada ao serviço com quadro de astenia e icterícia (+4/+4). A avaliação laboratorial inicial evidenciou ALT de 687.1 U/L, aspartato aminotransferase de 341.2 U/L, gamaglutamiltransferase de 3554.9 U/L, fosfatase alcalina de 398.8 U/L e bilirrubinas totais de 9.93 mg/dL. Foi realizada Colangioressonância Magnética que revelou vesicula biliar hipodistendida com paredes espassadas apresentando um pequeno cálculo de 0.4 cm em seu interior, sugestivo de colecistopatia calculosa crônica. Realizou-se a dosagem de P-ANCA e ANTI LKM1, ambas não reagentes.

Resultados

Para diagnóstico, foi realizada biópsia hepática que constatou alterações parenquimatosas, incluindo focos de necrose lítica hepatocitária, com corpos apoptóticos e marcada bilirrubinostase em zona 3, concluindo a presença de hepatite aguda colestática sugestiva de lesão tóxico-medicamentosa. O manejo envolveu a descontinuação da azatioprina e tratamento de suporte até melhora clínica e laboratorial.

Conclusões/Considerações finais

No caso em questão, após a descontinuação da azatioprina associado ao tratamento de suporte, o paciente apresentou melhora clínica e laboratorial, com níveis de transaminases e bilirrubina estabilizadas. Apesar da lesão hepática causada pelo uso da azatioprina poder evoluir de forma grave, o prognóstico geralmente é favorável. Dado isso, salienta-se a necessidade do acompanhamento contínuo e rigoroso de pacientes em uso de azatioprina.

Palavras-chave

Azatioprina; icterícia; biópsia.

Área

Clínica Médica Geral

Instituições

Centro Universitário Tiradentes- UNIT AL - Alagoas - Brasil

Autores

LUIZA MARIA RABELO DE SANTANA, ISIS CARVALHO MIRANDA, JULIA CABRAL BARRETO, MARIANA ALVES DA CUNHA, EZEQUEL CÉSAR SANTOS DE SANTANA