Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

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Dados do Trabalho


Título

HEMIBALISMO-HEMICOREIA EM ESTADO HIPERGLICÊMICO NÃO CETÓTICO: UM RELATO DE CASO

Fundamentação/Introdução

A hemicoreia e o hemibalismo são distúrbios do movimento hipercinéticos que acometem um lado do corpo durante o repouso e o movimento. Eles resultam de uma lesão na conexão entre gânglios da base, cerebelo, tálamo e córtex frontal motor que são responsáveis pela execução dos movimentos corporais. Apresentando diversas etiologias, como eventos vasculares, distúrbios metabólicos, neoplasia cerebral e infecções. O hemibalismo-hemicoreia no estado hiperglicêmico configura-se como uma manifestação rara e pouco descrita na literatura.

Objetivos

O presente relato tem como objetivo informar um atípico quadro de Coreia associado a distúrbio hiperglicêmico em paciente com Diabetes Mellitus do tipo 2 (DM-2).

Delineamento e Métodos

B.V.N., sexo feminino, 65 anos, hipertensa e diabética. Em uso irregular de Metformina 850mg/dia, insulina NPH (14 unidades manhã, 10 unidades noite). Há 3 meses, relata movimentos involuntários em dimídio direito, grande amplitude, predomínio distal, duração de 3 minutos. Há 23 dias evoluiu com fasciculações em hemiface à direita, associado a disartria. No mesmo período refere, hemiplegia em dimídio direito, intermitente, duração de 15 minutos. Na admissão apresentava movimento involuntário hipercinético sem padrão definido em membro inferior direito e em membro superior direito, tipo coreia.

Resultados

Monitorização de glicemia capilar 404-266 mg/dl. Realizou tomografia de crânio (TC) que demonstrou discreta hiperdensidade em núcleo caudado e região hipocampal esquerda. Para confirmação diagnóstica realizou ressonância magnética do crânio (RNM) que evidenciou tênue realce pelo meio de contraste paramagnético dos núcleos lentiforme e caudado à esquerda, além de hipersinal em T1, sendo sugestivo de estado hiperglicêmico não cetótico. A paciente permaneceu internada para controle glicêmico mais rigoroso, feito terapêutica com insulina NPH 52U/dia, ácido valpróico 1000mg/dia e haldol 4mg/dia, tendo atenuado os movimentos até remissão completa, no período de 15 dias.

Conclusões/Considerações finais

Trata-se de um caso de alteração neurológica incomum dada a associação clínico-radiológica com a Diabetes Mellitus, porém reversível após terapia instituída e sem sequelas. A hemicoreia por hiperglicemia deve ser sempre lembrada em pacientes sabidamente diabéticos, principalmente quando descompensados. Enfatizando a importância do reconhecimento precoce e tratamento definitivo.

Palavras-chave

Discinesias; Diabetes Mellitus; Diabetes Mellitus Lipoatrófica

Área

Neurologia

Instituições

Hospital Central Coronel Pedro Germano - Rio Grande do Norte - Brasil, Universidade Potiguar - Rio Grande do Norte - Brasil

Autores

GABRIELA DIAS CAVALCANTI, Antônio Fernando Coelho Junior, Breno Moura Jacome, Felipe De Faria Uchoa, Paula Katherine De Brito Bezerra, Vital Avelino Maia Neto